quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mãe, por que você não me conta o que está te amargurando?


Em 18 anos de vida, essa é a primeira vez que vejo minha mãe com aparência tão abatida..o olhar dela fica alheio, como se estivesse sempre prestes a cair uma lágrima, e os pensamentos, bom, eles parecem estar tão avoados que mal tenho a sensação da presença dela. 
De sua boca tem saído palavras curtas e com um peso enorme de magoas, que quando as escuto, quase mergulho na frustração delas.
Não sei ao certo quais são as turbulências que a estão deixando dessa maneira tão desassossegada, mas tenho uma leve sensação que a muito tempo ela tem guardado tantos anseios, tantas mágoas, tantas frustrações, que hoje, o máximo que ela consegue transparecer, é um terço do que realmente a está consumindo aos poucos.
A dois dias, vi ela sentada numa cadeirinha da sala, com a cabeça abaixada, e pude perceber que estava chorando, quando olhei para o chão e vi como se fossem "pingos de chuva"..me afastei com o coração tão apertado que achei que choraria no mesmo instante, mas não, me sentei na cozinha e esperei ela passar pra perguntar: "Mãe, está tudo bem? Por que você não me conta o que está te amargurando?", ela nem se quer me olhou, pois o peso de sua angustia era tanta que seu olhar insistia em permanecer cabisbaixo, e com a voz ainda embargada, saiu uma fala simples e rápida: "Não está, mas agora não vou conseguir conversar".
Juro que se pudesse tirar todos esses sentimentos de tristeza do coração de minha mãe, eu os faria, assim como ela tentou de todas as maneiras retirar os meus, quando eu mais precisei. (Droga, estou chorando).
Na verdade, eu sei, em termos, alguns dos motivos pelo qual ela se encontra assim..o maior deles, senão o principal, é o fato dela estar sentindo a ausência do meu avô, que mesmo se recuperando aos poucos e estar fazendo questão de nos mostrar isso, sempre com um sorriso no rosto e uma frase consistente: "Eu tô bem, tô melhorando.", ela sabe, no fundo, o quanto a vida é efêmera, e que um dia a única coisa que restará dele, serão lembranças..acho que o fato dela saber da grave doença dele a deixa terminantemente entristecida e desesperada  por saber que não há muito o que se possa fazer.
Outro motivo é o fato dela presenciar a falta de respeito das filhas, o que no caso, me inclui nesse contexto..hoje, sentada a mesa, ela vira e diz: "Eu sou um fracasso..não consegui ensinar as minhas filhas como se deve agir e a respeitar as pessoas." Confesso, isso me doeu tanto, mas tanto que senti um aperto no âmago do meu ser..foi como se caísse sobre mim uma penumbra de culpa, como se tivesse vindo a tona o fato de eu estar destratando e descontando em minha mãe, todos as minhas angústias..isso não é justo, isso não é nem um pouco justo com alguém que sempre está ao meu lado, em qualquer circunstância, em qualquer ocasião..isso não está certo, isso não é justo.
Mãe, sei que você provavelmente nunca verá isso, mas eu gostaria de deixar aqui registrado umas singelas palavras:
Mamãe, eu sei que tenho sido rude e desrespeitosa, mas eu prometo que daqui pra frente, selo a minha mudança, selo o meu comprometimento em fazer o que for preciso pra nunca mais ter que presenciar a sua angustia, nunca mais te ver sofrendo tanto..prometo, juro, em nome de todas as noites que você passou acordada por que eu não conseguia pegar no sono com medo dos fantasmas da vida, por todos as palavras que você me disse, por todos os colos que você me ofereceu, por todos os beijos e "eu te amo", por todos os abraços apertados..pelos dias que você me acalentou com conselhos e carinhos, quando o que mais eu desejava era simplesmente sumir..te prometo, juro e te devo isso, por ser essa mulher tão maravilhosa, da qual eu me orgulho em dizer: "É, essa mulher é minha mãe, essa mulher é A mulher da minha vida." Eu te amo da forma mais verdadeira possível, mesmo demonstrando da minha forma errada de ser, eu te amo, eu te amo, eu te amo.
Por mais difícil que a vida seja, quando se tem o colo de mãe, nada mais importa e nada mais se engrandece.

"Não importa a sua idade, você sempre será o meu bebê." 






















               "

terça-feira, 16 de abril de 2013

Quais partículas restaram daquela inocência?

  
Me preparando para dormir, me peguei sentada na cama, com o olhar cabisbaixo e com pensamentos a mil..pra ser mais especifica, eu estava recapitulando o que tenho feito da minha vida nesses últimos meses. 
Desde que começou o ano, tive a sensação que estou "flutuando", como se estivesse apenas observando os acontecimentos, sem me manisfestar, esperando o ideal momento de agir. Não sei ao certo até que ponto agir dessa maneira contribui para o meu crescimento.
Pra falar a verdade, não sei até que ponto, novamente utilizando esse termo, eu cresci nesses tempos..não sei quanto de mim foi substituído, não sei quantas memórias fora retiradas e quantas foram armazenadas. Não sei ao certo quem eu guardei no coração, e quem eu, inconscientemente ou conscientemente, retirei.
Pra ser mais clara, as vezes eu me pego pensando em quem eu realmente me tornei..o que restou daquela menininha de cabelos louros e olhinhos verde. Quais partículas daquela inocência ficaram incrustadas nesse novo monumento que hoje me chamam pelo nome. Me pergunto: Quem é que hoje habita essa minha casca corporal? Quem? 
Pra responder isso, acho que terei que dar muitos passos, talvez nem com milhões deles eu consiga identificar, mas provavelmente, quando eu encontrar artifícios para Me explicar, eu já vou me encontrar com outros pensamentos e com a mesma dúvida? Quais partículas restaram daquela inocência, hoje incrustada nesse novo monumento que me chamam pelo nome?
Sem mais escrever a respeito das perguntas, me deparo com uma amplitude de vazio, pois percebo que minha vida é um eterno ponto de interrogação, afinal, me equivoco com o passado, me questiono sobre o presente e me interrogo quando penso no futuro.


Discografia que me acalentou no decorrer da escrita desse post. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Quando finalmente criei coragem pra criar..


Hoje, após diversas desventuras, resolvi abrir meu notebook, conectar a internet, abrir meu servidor padrão e ao invés de me conectar as redes sociais, fiquei pensando na ideia de realmente criar um blog..como essa ideia estava sobrevoando meus pensamentos a um bom tempo, já tinha anotado por diversos papéis supostos nomes que poderiam ser batizados juntamente com a criação do meu blog, mas sabe da verdade? Escrevi diversos, pensei em um grande bocado, mas no final, escolhi um que me pareceu "melhor", mesmo eu achando um pouco, "bobinho".
Enquanto modelava a ideia da criação, passou pela minha cabeça desenvolver certos projetos, como fotos corriqueiras, vídeos de desabafo ou até mesmo de reuniões familiares, depoimentos e gracejos, poesias, crônicas e até mesmo, musicas que me inspiraram no decorrer do post..penso em tudo isso, e acho que, mesmo que ninguém tenha acesso ou interesse pelo material cá apresentado, daqui a alguns anos, quando me encontrar rodeada da minha própria família, vou poder me saciar de sentimentos, sensações e emoções que eu jamais poderei descartar..por que o que se concretiza em vida, aqui permanece e se perpetua.